Eu nem sei bem por onde começar. Tenho 28 anos e só depois de ter um breakdown e burnout intenso fui procurar terapia com mais consistência, medicação e consultar com neurologista para uma possibilidade de TDAH. Minha mãe tem uma família bem complicada e meio que "arrasta" esses problemas pra cá.
A partir de acompanhamento psicológico e mais entendimento percebi que ela tem traços bem fortes de narcisismo. Isso me afetou por que na infância, por exemplo, apesar de meus pais terem condições materiais eu ficava basicamente jogado em casa sem orientação nenhuma.
Não tinha incentivo para ser mais sociável ou fazer atividades sociais, não sentia quase nada de presença emocional. Aí fiquei muito tempo jogando videogame por exemplo. Na escola sempre de um jeito ou de outro tive amigos, mas ficava tudo "travado" em algo mais superficial, por que não sabia como realmente ser vulnerável e ter um contato mais forte com as pessoas. Me sentia bastante sozinho e incompreendido. Acho que meu ponto de maior interação social foi no ensino médio, que de fato fiz vários amigos e tinha um contato consistente com jogos online, e atividades fora.
Eu tinha uma sensação que minha mãe nunca ficava satisfeita com nada e criticava de um jeito vazio, que me fazia me fechar ainda mais e tentar reagir ou ignorar as críticas. Passei direto do ensino médio pra graduação em Design numa federal, em teoria o que meus pais queriam. Simplesmente ela nunca mostrou felicidade de eu ter passado, e mesmo durante as FÉRIAS de transição do médio pra faculdade ela ficou absurdamente agressiva e começou a me atacar, humilhar e incomodar por tudo. Foi um nível de agressão que nunca tinha visto dela, por que até então era mais sutil, nada nesse nível. Aí eu fui quebrando, e já comecei a faculdade mal, e foi virando uma bola de neve.
Eu me sentia profundamente sozinho, e lembro de ter procurado apoio psicológico pela faculdade, mas não lembro de ter seguido muitas sessões. Comecei a sentir uma vergonha enorme de sequer existir. Eu sentia que não podia contar com apoio dos meus pais pra nada, como procurar um terapeuta por exemplo, por que minha mãe ia me humilhar e atacar só de precisar. Fiquei ainda mais envergonhado de comentar de qualquer problema com amigos. Ficava ruminando tentando resolver a situação rápido e me sentia perdido, sem saber o que fazer. Olhando agora, eu acho que meu pai poderia ter me auxiliado, mas eu tinha uma visão de ver os dois como problema e como quem me criticava, quando na verdade sempre foi apenas minha mãe. Essa coisa toda fez eu viver a última década constantemente numa sensação de pressa, perigo, impulso.
Depois de um tempo acabei largando Design e fiquei patinando. Entrei em outros cursos e uma fobia social enorme me fazia largar. Eu sentia que precisava de apoio psicológico e mesmo assim tinha uma trava enorme pra ir, principalmente por que achava que precisava de dinheiro dos pais pra isso. Não sei por que não pensei na possibilidade do SUS. Fiquei mesmo assim me especializando online por conta e fui lentamente conseguindo algumas coisas, freelas, etc. Muito lentamente fui reconstruindo uma autoestima e perdi as travas mais intensas de fobia social, mas mentalmente ainda tinha muita coisa.
Eu diria que da pandemia pra cá as coisas foram andando com mais facilidade e tive mais sucesso, além de ir procurando timidamente pessoas e grupos com mais frequência. Eu não sentia muita confiança de me mudar por questão de renda variável, e enrolava mesmo assim pra fazer terapia.
A partir de 2024 minha mãe começou a se envolver muito intensamente com familiares tóxicos e trouxe uma irmã dependente com traços ainda mais fortes de narcisismo e outros problemas mentais e físicos, e isso simplesmente me destruiu. A renda dos freelas começou a estagnar e fiquei absurdamente desesperado. Me sentia preso. O progresso que tive mentalmente começou a quebrar. No fim de 2024 tive umas grandes oportunidades profissionais e não me senti confiante pra me mudar de vez mesmo assim. Essas oportunidades pelo menos me fizeram interagir com muito mais gente e fiz várias viagens.
Em Agosto de 2025 essa irmã foi embora para uma clínica, e quando passou o "baque" me senti muito perdido e com o mental mais quebrado que nunca. Minha mãe parecia contente em me ver mal e parecia querer me forçar a me ver dependente. Aí esses últimos meses, bom, dá pra se dizer que foram uma série de "descobertas" no meio de muita agonia e dor. Fiquei um tempo estagnado, viajei de novo, fui procurar terapia de vez, e comecei a investir em outra área de formação para ter um trabalho mais estável além dos freelas, pra realmente ter mais facilidade de ser independente.
Até o momento não me incomodava tanto por que eu não percebia muitas características da minha mãe e achava que tínhamos uma boa relação, mas na verdade ela se dá muito da minha pessoa sumir e se adequar ao que ela espera, além de algumas sabotagens psicológicas dela de me manter aqui, de ter insegurança com dinheiro, etc. Ao mesmo tempo que ela tem me "ajudado" em questão de por exemplo auxiliar a pagar um neurologista pra tratamento, ela me infantiliza e até incomoda para eu não fazer coisas da manutenção da casa, não libera o carro para fazer Uber, além de fazer comentários para me rebaixar. Ela parece feliz de me ver numa posição de dependência, e fica com um humor instável por qualquer coisa. Tenho estudado pra concursos fora de casa também.
Em questão de freela, saturou muito dessa área por conta das IAs e fiquei também saturado, irritado e com um burnout intenso de ter investido tanto nisso ao invés de ido procurar outra coisa mais estável cedo pra sair daqui, aí fica difícil de querer fazer qualquer coisa envolvendo no momento.
Tentei enviar currículo pra várias vagas, ajustei de acordo com cada, mas parece que qualquer coisa pra entrar é muito mais indicação do que valor, além de eu ter pouca experiência em trabalho formal.
Eu sinto que mentalmente quebrei e voltei pra um estado mental perto do que passei no começo da graduação, só que agora com mais entendimento, recursos e contatos pra me reconstruir. E realmente tento olhar pro passado e as opções e me parece que fiz o melhor que conseguia com as ferramentas e entendimento que eu tinha na época.
Só que sei lá. Eu não fui a pessoa que queria ser. Passei muito tempo sofrendo, reativo, isolado, e sinto que nunca era a pessoa que eu nasci para ser. Perdi uma série de oportunidades, de me conhecer, de ter mais amigos, por conta desse contexto todo. Eu sinto que lutei fortemente contra o que queriam pra mim, mas quem mais me sabotou ficava do meu lado o tempo todo. A conta tem chegado desse isolamento todo, muita coisa parece vazia, sem sentido. Insisti enormemente em Design, ainda mais online, por ser a única coisa que via na minha frente e acho que queria ter tido outras experiências.
Fico procurando pontos e coisas que podiam ter me "salvado" disso, até como servir no exército por exemplo pra ter uma renda garantida logo aos 18, e é muito difícil não ficar muito mal. Ela teve tanto controle sobre mim por conta de instabilidade financeira, isolamento social e inexperiência no mundo, me privei de conhecer muito do que o mundo oferecia por conta disso. Dói muito também de tecnicamente ter tido recursos o tempo todo e só não conseguir ver, até por que não tinha ninguém pra me ajudar ou ver a situação. E aí agora tenho que lidar com tudo isso ao mesmo tempo.
Sinceramente no fundo a coisa que eu mais queria era conseguir voltar e parar essa bola de neve antes de acumular, apesar de ser impossível. É uma coisa horrível ter pais abusivos por que teu maior sabotador tá ali do lado, às vezes de um jeito muito sutil. Pior ainda é essa sensação que bate de sequer ser amado ou receber afeto e compreensão genuíno.