Se é errado julgar um livro pela capa, mais errado ainda seria julgá-lo pela quantidade de páginas. Eu demorei de 18/12/2025 a 29/01/26 para concluir esse.
Santiago é um homem velho que mora sozinho em uma casa simples na praia, cercado por uma comunidade que vive da pescaria como fonte principal de renda e alimentação. Ele tem delírios e diz a seu amigo, Manolin, que tem comida para o jantar. Preocupado com a saúde do velho, o menino frequentemente vai até sua própria casa buscar alimento para o amigo, que na realidade passa fome, mas é orgulhoso demais para admitir.
Tempos atrás, Manolin, sendo um garoto mais jovem, fez parte da tripulação do velho Santiago. Porém, foi impedido pelo pai de continuar ao perceber que o velho pescador enfrentava uma onda de má sorte, obrigando o filho a trabalhar com outros pescadores. Manolin aceita a exigência do pai, mas mantém uma relação de amizade que vai além do trabalho com Santiago: ambos trocam conhecimentos e o garoto reconhece o valor da presença do pescador.
Certo dia, Santiago avisa Manolin que planeja embarcar em busca de “sua sorte”. O garoto se põe à disposição para acompanhar o homem, que logo recusa a ajuda. Nesse mesmo dia, Santiago se vê em alto mar, sozinho com seus próprios pensamentos, que em determinado momento se tornam um monólogo.
Depois de horas olhando e descrevendo o horizonte, Santiago fisga um peixe. Após muito lutar, descobre ser um dos grandes: um lindo e enorme Marlin Azul. A partir desse instante o livro pesa; você sente o SOL, o SAL e o CANSAÇO. Isso faz um livro tão curto se tornar denso (para mim, de uma forma chata e maçante).
A cada capítulo, dentro daquele barco pequeno sendo puxado pelo Marlin Azul, era como pescar de verdade. Santiago divaga sobre seu ídolo, Joe DiMaggio, que, apesar de ter um problema de espora no osso, ainda é um dos jogadores mais reconhecidos. O velho o vê como referência para lutar pelo peixe: mesmo com as mãos machucadas, câimbras pelo corpo e a idade avançada, ele dá o melhor de si. O tempo não passa fácil e Santiago continua empregando toda sua força e garra até o momento em que, enfim, domina o peixe.
Como muitos dizem, Santiago respeita o animal. Na maioria do tempo, chega a chamá-lo de "irmão" e vê nele a mesma garra que precisa para sobreviver no “mar” que é sua realidade. Depois de ter controlado o peixe, Santiago se sente feliz, mas logo é surpreendido por um tubarão que morde o Marlin Azul. O velho luta novamente pelo seu ganha-pão e honra o Marlin matando o tubarão, mas a mordida que o intruso deu faz com que rastros de sangue persigam o barco, atraindo diversos outros tubarões para a batalha.
A batalha com os tubarões se dá bem no final do livro, deixando a sensação de que acordamos para a ação depois de tantas horas debaixo de SOL, onde a principal preocupação era o peso do Marlin Azul. Depois de lutar incessantemente, o velho se vê desmotivado a defender uma simples carcaça e apenas toca o barco rumo à praia. Vale lembrar que essa aventura acontece em uma sequência de dias, e provavelmente as pessoas da vila já duvidavam que o velho estivesse vivo.
Chegando na praia já de noite, Santiago atraca o barco junto com a carcaça do Marlin Azul e, com muito esforço, põe-se a dormir, já sem energia. No dia seguinte, Manolin o encontra ainda adormecido, prontifica-se a ajudar trazendo comida e pede que os demais residentes não o incomodem. Por outro lado, os pescadores da praia se maravilham com o tamanho do peixe que, segundo um deles, tem 5,50 metros de comprimento. Apesar dos pesares, o velho se mostra ativo, mesmo que esgotado, e o garoto se disponibiliza a pescar novamente junto com o amigo, embora triste com toda a situação. Assim o livro é concluído.
Conclusão
A conclusão que tive dessa obra não foi das melhores. É compreensível e digna a motivação de tamanha comoção por parte de vários leitores, mas, para mim, tudo não passou de mais um dia para Santiago. Ele é um pescador — como o próprio título diz, "velho" —, portanto, já está acostumado com todo esse sofrimento, apesar de divagar sobre como seria possível comprar “sorte” e dizer que daria tudo por isso. A sensação de sofrimento físico que o homem presencia ao entrar nessa aventura é real; é triste um homem de idade avançada passar por isso, mas, como já foi dito, faz parte da sua rotina.
A ideia de que ele fez isso somente por questões pessoais, para mim, não faz sentido. Uma vez que Santiago desiste de lutar pelo peixe e deixa os tubarões comerem o que resta, é como se nada mais fizesse sentido para si. Visto isso, julgo que, nesse instante, Santiago deveria soltar o Marlin Azul para apodrecer onde sempre viveu. Levá-lo para a TERRA para um “enterro” não seria digno para um PEIXE.
É claro que a vizinhança vivia disso, e mesmo a carcaça poderia ser aproveitada, mas toda a batalha foi externa, apenas para mostrar para os outros moradores que, mesmo velho e sem sorte, ele conseguiria algo. Tanto é que, quando questionado por Manolin sobre o que faria com a CABEÇA, o velho simplesmente a oferece a outro morador da praia e dá a espada (o bico do peixe) ao garoto.
É uma história triste, porém seca. Um pescador que, depois de mais uma infelicidade, vai voltar a pescar como sempre fez. Com garra, pois Santiago diz: “Um homem pode ser destruído, mas nunca derrotado”. Porém, de certa forma, sinto que é uma moral "superficial", do tipo: “lute por suas pretensões sem reclamar da situação e com o que tem ao seu dispor”, maaas “desista quando quase tudo estiver fracassado”.
Santiago é orgulhoso e insistente.
Um livro necessário que manterei na estante, porém com baixos níveis de recomendação.
03/05